Amor sem chama

Três anos depois da última actuação em Portugal, os Air regressaram a Lisboa para apresentar ‘Love 2’. Num Coliseu esgotado, a dupla francesa aproveitou para tocar alguns temas do novo álbum, tendo no entanto sido os temas mais antigos que receberam as maiores ovações.

E, de facto, ficou patente a assimetria das novas composições com as músicas mais antigas. A recepção do público foi diferente ao ‘portfólio’ sonoro da dupla Godin & Dunckel. É por demais evidente que os Air não têm no novo album um sucessor à altura de ‘Moon Safari’ ou ‘Talkie Walkie’.

Apesar do entusiasmo, só com os acordes de “Venus” e “Space Maker”, de ‘Talkie Walkie’, é que o público se mostrou verdadeiramente excitado, já depois dos novos “Do the joy”, “So light is her football” ou “Love”.

Desta feita, após uma passagem por “Cherry blossom girl” e “Be a bee”, o duo, que actuou como trio com o apoio de um baterista, tocou “Highschool lover”, tema popularizado no filme de culto de Sofia Copola, “As virgens suicidas”, num dos momentos mais intensos do espectáculo.

Apesar da aparência onírica e fria de Nicolas Godin e Jean-Benoît Dunckel, ambos vestidos de branco, a dupla comunicou amiúde com o público, endereçando beijos e obrigados numa mistura de português com francês.

E porque nem só de palavras vive a música dos Air, “Alpha beta gaga”, balada dos mil assobios, foi igualmente bem recebida, registando-se na plateia algumas tentativas de acompanhamento. Para o encore, ficaram guardados os temas “Sexy boy” e “La femme d´argent”, num final em crescendo e de repentino arrebate do público.

crítica musical para a revista Arte Sonora

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