Em 2010 Projecto.Detalhe quer superar os 10ME

O director-geral da empresa, Joaquim Neto Filipe, explica a estratégia de internacionalização da Projecto.Detalhe e enumera o conjunto de projectos mais emblemáticos realizados ao longo da sua primeira década.

A Projecto.Detalhe nasceu no ano 2000. Como tem sido a evolução da empresa?
Tem sido uma evolução tranquila. Em termos práticos, a Projecto.Detalhe começou em 2000 a fazer excluisavemente projectos de electricidade e instrumentação, com mais ênfase de instrumentação, que foi a área em que encontrámos um nicho de mercado e onde considerámos oportuno lançar uma nova empresa. Fomos evoluindo gradualmente, trabalhando as várias disciplinas de engenharia e depois, para além da engenharia, fomos avançando para a gestão de pequenos projectos, chegando à gestão chave-na-mão de projectos industriais, já incorporando todas as vertentes de engenharia, desde segurança, ambiente e electricidade, a estruturas, automação e mecânica. Começámos com instrumentação e, neste momento, trabalhamos praticamente todas as especialidades.

No entanto, os trabalhos mais importantes da Projecto.Detalhe são da área industrial. É uma aposta da empresa?
Sim, isto porque nunca quisemos trabalhar nem no terciário nem nas áreas onde, como se costuma dizer, ‘os cabos eléctricos fossem tratados ao quilo e não ao metro’, isto é, nunca quisemos estar ligados exclusivamente à construção civil, nem tão pouco às chamadas instalações especiais. O nosso foco é claramente a área industrial com destaque para quatro áreas: oil and gas; produção, transporte e energia; ambiente; e siderúrgica. Em relação a esta última área, não temos grande preponderância, dado que somos um país pequeno e limitado, especialmente em termos de recursos naturais.

É por isso que já desenvolveram alguns projectos a nível internacional?
O nosso primeiro projecto internacional foi feito em 2005. Quando achámos que já tínhamos capacidade para ter um produto vendível no exterior, fizemos o projecto de um parque de armazenagem de combustível, para Cabo Verde, um projecto já integrado já integrado. No que toca a empresas de direito local, a Projecto.Detalhe Angola surgiu em 2007, sendo que a Projecto.Detalhe Cabo Verde vai ser constituída somente este ano, à semelhança do Brasil e Moçambique.

Quais as razões que levam a Projecto.Detalhe a querer entrar no Brasil e Moçambique?
A primeira razão tem a ver com uma afinidade cultural, já que onde se fala português sentimo-nos em casa. Para além disso, são países e que os mercados, por serem emergentes, oferecem muito mais oportunidades do que Portugal. Por outro lado, em Portugal as empresas estrangeiras têm mais facilidade em arranjar trabalho do que as empresas portuguesas. Ao contrário das grandes empresas espanholas ou francesas, as grandes empresas portuguesas não têm uma tradição de apoio às empresas mais pequenas, por forma a que estas lhes possam acrescentar mais valor. Como na Projecto.Detalhe acreditamos que temos capacidade, know-how e vontade, portanto vamos para fora. No que toca à aposta nestes países e não noutros, deve-se exclusivamente ao facto de que dão oportunidades.

No caso de Angola e Moçambique, considera como mercados semelhantes?
As semelhanças que há são basicamente do ponto de vista do trabalho, visto que são países que precisam de know-how que Portugal pode fornecer e a Projecto.Detalhe, em particular, pode oferecer. Por outro lado, a dimensão do mercado angolano é maior do que a do mercado moçambicano, sendo que este último, quando começar a ter visibilidade, vai ser uma surpresa. Apesar da crise internacional, diria que, neste momento, Moçambique oferece mais oportunidades do que Angola. A título de exemplo, Moçambique tem gás natural e carvão.

No caso do Brasil, o que pode a Projecto.Detalhe oferecer?
A nossa estratégia de internacionalização passa por ferecer o mesmo produtos a clientes diferentes. Neste sentido, o que estamos a prever fazer no Brasil é fazer engenharia e gestão de projectos industriais. O Brasil, por ser um mercado de dimensão superior e por ser um mercado muito mais abrangente, quer de qualidade e qualidade, vai-nos permitir avançar para outro tipo de oportunidades, como o da siderurgia e do minério. A Projecto.Detalhe, durante três ou quatro anos, procurou acrescentar valores e agregar capacidades à sua cadeia, de modo a que pudessemos dizer “Sabemos fazer isto” e, desta forma, tivessemos capacidade de trabalhar tanto em Portugal, como em Espanha. Temos consciência que as dificuldades que se colocam a uma empresa portuguesa em Espanha são imensas, visto que é um mercado protegido e maduro. A nossa lógica de internacionalização é sempre através de parceiros locais, por parcerias e associações com empresas que conheçam o mercado e que nos permitam fazer o interface entre o nosso know-how e conhecimento local.

Dos projectos realizados pela Projecto.Detalhe, quais os que destaca?
Neste momento, estamos a realizar três projectos de referência e que são bastante importantes para a nós: o primeiro é o projecto integrado da nova Instalação de Combustíveis do Aeroporto de Lisboa, que fizemos para o consórcio da Mota-Engil com a Amal; o segundo, tem a ver com a Central Termoeléctrica do Pêgo, onde, com a Siemens, estamos a fazer empreitada chave-na-mão; e, por fim, em Cabo Verde estamos a fazer um tanque, um Parque de Armazenagem de Combustível, também chave-na-mão, para a Enacol.

Como correu o ano de 2009 à empresa?
Correu bem, tendo a Projecto.Detalhe crescido a contra-ciclo. Praticamente duplicámos a facturação, aumentámos em cerca de 80%, para os 4,3 milhões de euros. Aumentámos ainda o valor acrescentado bruto e o EBITDA, pelo que foi um ano positivo. Para 2010 esperámos continuar a crescer. Para este ano, queremos superar o aumento de 80% de 2009, superando os 10 milhões de euros. Desejamos que metade deste valor seja já obtido no estrangeiro, porque a nossa visão é a de sermos uma empresa de referência na engenharia nacional e internacional. Essa referência vem da qualidade do trabalho do resultado, da satisfação do cliente, do cumprimento de prazos, mas também da visibilidade. E para termos visibilidade, temos que estar presentes em muitos sítios, realizar bons trabalhos e ter a aceitação e reconhecimento dos mercados em que estamos, o que só se consegue com crescimento. Estamos ainda numa clara fase de crescimento. As empresas nossas concorrentes de Portugal, têm todas pelo menos 20 anos, sendo que, quase todas elas, são participadas de grandes empresas de engenharia nacionais. A Projecto.Detalhe ainda é exclusivamente nacional. Isto não é um orgulho ou uma referência, é apenas um facto que compara com a maior facilidade de abertura para outros mercado que, por via do accionista, seja possível noutras empresas. A esperança que temos é a de continuar a crescer, tendo em conta o objectivo de atingirmos este ano a facturação de 10 milhões de euros. É óbvio que futuramente não vamos continuar a crescer a este ritmo, mas acredito que, se as coisas correrem de acordo com as expectativas, vamos com facilidade atingir este valor, o que não significa que queiramos ficar por aí. Queremos crescer de uma maneira sustentada, orgânica e coerente.

entrevista realizada para o Construir

back to interviews

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s