Na Catalunha com Josep Pla

#01   Iniciei ‘Viagem de Autocarro’ no comboio. Parti às 11 da manhã do Cais do Sodré, em Lisboa, e, tantas horas passadas, já em casa, depois de almoçar, obrar, descansar e lanchar, continuo a percorrer a Catalunha. A culpa é de Josep Pla, o autor-motorista que me conduz de aldeia em aldeia em aldeia. Carlos Vaz Marques, prefaciador do livro avisa que ‘nesta viagem de autocarro não acontece nada’, sendo a obra um conjunto de ‘reflexões, divagações e devaneios’. O cérebro rebusca na memória passagens de ‘Os Devaneios do Caminhante Solitário’, de Rousseau.

#02   A memória, por seu turno, transporta-se de novo a Chisinau. Alcancei a capital moldava em 2010, a partir de Odessa (Ucrânia), de onde saí num comboio ‘movido a gasolina, decorado da mesma maneira como se costumavam decorar as casas de pouco requinte no meu tempo de estudante. Alguns têm uma decoração vagamente cubista sobre um fundo cor de chocolate. Outros, de cor mais clara, apresentam umas flores de fogosa inventividade e de desenho caprichoso. Que flores são estas? Nenúfares? Miosótis? Orquídeas?’.

#03   Esta é a prova de que Pla estava lá. Só não o vi porque foi de autocarro. Por ora, porém, não me escapa. Já me sentei ao seu lado, junto ao corredor para impedir que fuja. Ele, à janela, é distraído pela semelhança das paisagens que confundem Cascais e a Catalunha.

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