‘Este ano vamos facturar cerca de 25 ME’

Em entrevista ao Construir, um dos administradores da Vibeiras, Luís Pereira, dá a conhecer os projectos de expansão internacional da empresa portuguesa. Fique a par da estratégia da empresa, assim como das principais obras.

A Vibeiras está prestes a celebrar 20 anos de actividade. Como foi a evolução da empresa?

A Vibeiras faz em 2010, 20 anos de obras, e tem tido sempre um crescimento muito orgânico, crescendo continuamente de forma sustentada. Começou com um encarregado, subcontratado, a funcionar no meu atelier, por ser arquitecto paisagista. A Vibeiras foi fundada com três sócios e, tendo em conta mais obras e mais projectos, cresceu de forma natural.

O facto de ter sido integrada no grupo Mota-Engil em 1998 foi marcante?

Não se deve chamar integração a esse processo. Em 1998, a Vibeiras já tinha oito anos e na altura a Engil estava a apostar na diversificação de negócios e comprou a participação maioritária na Vibeiras, tendo adquirido 66,6% da empresa. Neste momento, tenho 11,6% da empresa, a mesma posição que detêm os administradores Teixeira de Almeida e Pedro Vieira Neves, para além do Grupo Visabeira. No que toca à nossa relação com o grupo Mota-Engil, é uma parceria mas não de interdependência. A Vibeiras não vive suportada nas obras do grupo Mota-Engil. Muitas vezes as pessoas pensam que só trabalhamos de forma complementar às obras do grupo Mota-Engil, mas na realidade não é isso que acontece, visto que não temos preço para trabalhar com a construtora. A direcção de obra, quando nos consulta, verifica que acabamos por apresentar um preço competitivo mas que há empresas mais baratas que a Vibeiras. A nossa empresa tem-se assumido sempre como gestora de contratos, nunca como subempreiteiro. É difícil ser subempreiteiro de uma empresa que também actua como gestora de contratos.

Como foi a facturação de 2009?

Este ano vamos facturar cerca de 25 milhões de euros. Com excepção de um ano em que o volume de vendas não cresceu, penso que 2003, a Vibeiras tem registado sempre um crescimento sustentado da facturação. Isto verifica-se na evolução que tivemos face a 2008, quando facturámos pouco mais de 19 milhões de euros. É um crescimento importante e que acaba por ser um pouco contra-ciclo, revelando-se ainda no facto de que permite um aumento de colaboradores. A Vibeiras não tem tido falta de trabalho mas, quando se fala na crise da construção, notamos que as margens estão muito mais baixas. Vendo o rácio face às vendas, verificamos que tem vindo a diminuir.

Quais as expectativas para 2010?

Felizmente já temos a carteira do próximo ano bastante composta. O nosso objectivo será o de manter os 25 milhões de euros, sendo que posso já adiantar que a carteira está feita a 80%.

Já desenvolveram mais de 1000 obras. Quais aquelas que destaca?

Uma das razões que permite diferenciar a Vibeiras das outras empresas de espaços verdes e jardinagem é que nos definimos como uma empresa de arquitectura paisagista. Desde sempre tivemos três departamentos, o de projecto, de produção e de manutenção. Desta forma, podemos oferecer o pleno em obras desta área. Em termos de obras marcantes, posso destacar os jardins que fizemos para a Expo, actual Parque das Nações, mas também no que toca ao antigo Estádio da Luz, a renovação e o relvado do novo estádio. Para o Euro 2004, trabalhámos ainda nos relvados dos estádios de Leiria e Coimbra. No Porto, trabalhámos no Museu de Arte Moderna de Serralves, e em Constância desenvolvemos o Parque Ambiental. Esta última obra foi muito interessante, porque a autarquia não deixou que fosse somente um espaço, transformando-se numa obra que tem conteúdos, acabando por ter mais de 100 mil visitantes por ano. O nosso trabalho é desenvolvido desde o Minho ao Algarve, os espaços verdes estão muito associados ao próprio desenvolvimento das regiões, sendo que é na faixa litoral que realizamos maior número de trabalhos. Neste momento criámos duas participadas, uma em Angola, a VBT, e outra em Portugal, a Áreagolfe, que se dedica ao mercado de golfe. A Vibeiras encontra-se, actualmente, a conceber todos os campos de golfe que estão em construção no país. É uma área em que estamos a apostar.

Tratando-se da VBT uma empresa que desenvolve trabalhos em Angola, quais considera que são as necessidades, ao nível de espaços verdes, nesse país?

A VBT vai entrar no terceiro ano de actividade. Depois de um primeiro ano em que, basicamente, nos apresentámos ao mercado, este ano já estamos a ter os primeiros resultados. Acreditamos que se trata de uma empresa com muito potencial, porque ainda falta muita coisa para ser feita em Angola, sendo que se trata de um país com muitos recursos. Por outro lado, ainda não há muitas empresas da nossa área a operarem no mercado angolano, pelo que, dado todo o trabalho que já desenvolvemos, acredito que pode ser uma vantagem. Estamos no mercado angolano para trabalhar desde o projecto até à obra em si.

Estão a pensar entrar noutros mercados?

A partir do próximo ano, prevemos auscultar o mercado da Arábia Saudita. Neste sentido, vamos enviar um colaborador para estabelecer esta parceria. Se correr bem, até ao final do ano que vem, deveremos criar uma participada em Riade, que deverá depois estender-se para os outros Emirados, como o Dubai, por exemplo. Mas convém afirmar que, neste momento, ainda é um processo que está em estudo.

Paralelamente ao vosso trabalho, têm desenvolvido alguns projectos de cariz social. Um desses projectos é o prémio Urbaverde Vibeiras dirigido a jovens arquitectos paisagistas. Qual o balanço que faz desta iniciativa?

É um prémio idealizado por mim. A Vibeiras, por si só, não tinha capacidade para desenvolver o prémio, pelo que nos associámos à Urbaverde. A ideia é de que este prémio se torne numa referência no meio, sendo que, desde já posso dizer, que tem tido uma evolução muito interessante. Começou por ser só para os arquitectos paisagistas, englobando os estudantes mas também os jovens profissionais. Depois evoluiu para já apresentar duas categorias e ser até aos 35 anos, sendo que no ano passado o prémio tornou-se ibero-americano, associado ao congresso de parques e jardins que se realizou em Portugal. O prémio de 2010 será entregue na feira Urbaverde que decorre em Março, sendo entregue em diferido no congresso ibero-americano que decorre em Lima, no Perú. O nosso objectivo é que este prémio esteja sempre associado a este congresso.

Sendo um prémio que visa distinguir arquitectos paisagistas até 35 anos, quais considera que são as tendências ao nível dos espaços verdes?

Não acredito que se possa definir uma tendência ou uma escola. O que se consegue ver é que a arquitectura paisagista e as obras são muitas e boas, tendo-se feito muita coisa de Norte a Sul do país, também associada à conjectura política, uma vez que as autarquias estão a apostar forte em espaços verdes. Não acredito que se trate de uma moda, mas é de facto uma necessidade das pessoas que acabam por exigir espaços verdes e de lazer nas suas cidades. Todos estes investimentos têm permitido que a Vibeiras se tenha afirmado de uma maneira muito mais sólida e consistente de quando a empresa começou há 20 anos, quando o processo de obras a concurso era muito inferior. Hoje em dia os próprios jardins não são somente os espaços verdes, incluem também os esgotos, mobiliário, redes de águas, movimentos de terras, entre outros, num conjunto de trabalhos que a Vibeiras trabalha como um todo. No que toca às tendências, acredito que actualmente há uma tendência minimalista, onde predominam os espaços abertos e em que há cada vez menos arbustos.

entrevista realizada para o jornal Construir

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