Reabilitação como Oportunidade para Eficiência Energética

A existência de um elevado número de imóveis por reabilitar nas grandes cidades constitui-se como uma importante oportunidade para dotar o edificado das classes mais eficientes energeticamente, concluiu a conferência “Sustentabilidade no Imobiliário”, organizada pela Vida Imobiliária e pela Portuguese Real Estate Advisors (PREA) e realizada na hotel Sofitel, em Lisboa.

No âmbito da conferência, o presidente da Adene, Alexandre Fernandes, começou por fazer um ponto da situação da emissão de certificados energéticos em Portugal. Com 160 mil certificados emitidos até 30 de Setembro de 2009, a Adene contabilizou nos últimos dois meses 48 mil novos imóveis certificados.

De acordo com Alexandre Fernandes: “até Setembro, tivemos 160 mil certificados energéticos emitidos, o que, tendo em conta a média de emissão de 20 mil certificados por mês, é praticamente o pleno com o número de transacções imobiliárias mensais”.

Os valores avançados pelo presidente da Adene são suportados pelos dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Estatística e pelo sistema bancário nacional, sublinha o mesmo responsável.

Os números são “impressionantes” e exprimem a evolução gradual que se tem verificado desde que se iniciou o processo de certificação energética de imóveis, em 1 de Julho de 2007: depois de serem atingidos 50 mil edifícios certificados a 24 de Março deste ano, a 28 de Julho esse número praticamente mais do que duplicou, chegando aos 112 mil para, no passado mês de Setembro, se contabilizarem finalmente os 160 mil edifícios certificados.

Este crescendo que se verifica deverá levar “à criação de uma nova profissão, relacionada com a do perito qualificado”. Segundo Alexandre Fernandes, “existem actualmente 1.200 técnicos a trabalhar na área, número que deverá subir a curto prazo até aos cinco mil”.

Desafio para a construção e promoção

Ao analisar estes resultados, Alexandre Fernandes considera que “neste momento, verifica-se um excelente desafio para toda a actividade da construção e da promoção imobiliária pela necessidade de intervenção no mercado edificado”.

De acordo com os dados, verifica-se um peso ainda grande de edifícios de boa classe energética, entre os A+ e B-, que têm um peso relativamente alto, “porque a certificação tem incidido sobre o parque de edifícios que, de alguma forma, estão a ser transaccionados neste momento, constituindo-se muitos deles referentes a edifícios construídos recentemente”.

Por outro lado, “assiste-se a que o peso dos muito bons é igual ao peso dos muito maus, isto é, A+ e G têm o mesmo valor”. À semelhança do que aconteceu nas últimas análises, a maior parte dos edifícios que se encontram a ser transaccionados são de classe C, a qual “é caracterizada por um excesso de consumo energético e de emissão de CO2 que é de cerca de 25 a 50% superior ao B-“, pelo que, continua Alexandre Fernandes, “ao haver um grande número de edifícios de classe C significa que temos um potencial identificado”, ou seja, este parque que aqui está tem a possibilidade de ser optimizado em termos energético-ambiental, de consumo energético.

Oportunidade da reabilitação

Na parte inferior da tabela, os edifícios de classe D significam cerca de 13%, “pelo que se pode dizer que 60 a 65% do parque que se encontra a ser transaccionado tem aqui uma excelente oportunidade para a reabilitação urbana”, revela o responsável máximo da Adene.

De acordo com o Alexandre Fernandes, a opção passa neste momento por “fazer com que o certificado energético possa ser também uma ferramenta para quem vai fazer a reabilitação, criando valor para o edificado”, indicou. O objectivo, não se cansa de destacar, “é passar os edifícios que são a partir da classe C para o pelotão da frente, ou seja, classes B e A”.

Os esforços feitos pela Adene neste sentido têm sido vários. O último dos quais resultou num protocolo de cooperação com a Deco que permitiu o lançamento do Casa+, um novo serviço através da Internet, que se constitui numa ferramente que simula o desempenho energético de edifícios.

Alexandre Fernandes explica que a Adene foi a responsável técnico do produto e o objectivo “é aumentar a sensibilidade daquilo que é para a pessoa comum a certificação energética”. Na prática, este simulador descodifica a linguagem técnica da certificação energética, permitindo, em qualquer momento, a certificação energética potencial de um imóvel, “através de dados que são do conhecimento comum de qualquer pessoa”, indica o presidente da Adene.

No decorrer da conferência foi abordado um outro factor que deverá servir de oportunidade para que a reabilitação conduza a edifícios mais eficientes energeticamente, relacionada com o facto de que, “no nosso país, e ao contrário do que acontece em países como o Reino Unido e a Alemanha, 80% da população opta por adquirir a sua casa, em vez de a alugar”, o que, desde logo, pressupõe que a população tenha outra ligação ao seu imóvel e que, como tal, possa investir no mesmo para tirar maior partido das condições de mercado, fez notar a responsável pela iniciativa Construção Sustentável, Lívia Tirone.

Reportagem para o Eng

back to reports

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s