#102

Hoje contamos com muito mais imagens e pessoas durante a vida, lembrou Gonçalo M. Tavares. ‘Vemos uma imagem e sabemos que vamos ver outra a seguir, conhecemos uma pessoa e sabemos que vamos conhecer outra. E pensamos que é sempre a imagem seguinte, a pessoa seguinte, a que vai salvar-nos’.
[…] O escritor falou de novo para contar que as páginas que escreve a correr – e escrever é cada vez mais uma actividade física para ele – são as melhores. Há uma velocidade primeiro, e um tempo lento que vem depois ao trabalhar o texto. Trabalha isolado várias horas todos os dias. Para isso tem de dizer não a muitas coisas. Quem diz que não tem tempo hoje é porque está baralhado, não sabe o que escolher e dispersa-se por mil coisas. ‘Há sempre urgências, uma sedução do dia. Se a pessoa não tem a cabeça forte ou é arrasada, ou passa 20 anos a fazer coisas tontas’. E não é preciso estar sempre a dizer que não. ‘Basta dizer um sim’, revelou Gonçalo M. Tavares. Os mil nãos a todas as outras pequenas seduções estão contidos nesse sim.

Alexandra Prado Coelho, reportagem sobre o jantar da Trienal de Arquitectura sob o tema ‘Voltar a Ter Tempo’

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