#135

Os mongóis rurais, atraídos pela promessa de uma Ulan Bator mais rica, estão agora a deslocar-se para a capital, com 1,2 milhões de habitantes, a um ritmo de 50 mil por ano, e a plantar as suas tendas de pastores (chamadas gers) indiscriminadamente nas franjas da cidade. O número de carros em Ulan Bator triplicou na última década. E continua a haver uma vida nómada: as ruas não têm nome. Os lugares navegam como pastores no deserto, estudando a rota do sol enquanto procuram os prédios altos. Nem sequer existem passadeiras – os moradores são obrigados a desviar-se dos carros, mesmo que tenham acabado de dar 2,8 milhões de tugriks (cerca de 1200 euros) por uma carteira na Louis Vuitton.
[…] Cheguei ao escritório de Ariunaa Tserenpil [directora do Conselho para as Artes da Mongólia] atrasado e sem ar. Desorientado com a história da falta de moradas, subi os quatro andares de três edifícios adjacentes à procura dela: ‘Ulan Bator ainda é uma cidade nómada’, diz, rindo-se gentilmente. ‘Muitas pessoas aqui conduzem carros como conduzem cavalos – se dão de caras uma com as outras, alinham-se para ver quem avança primeiro. Não há sentido de colectividade. No meu prédio, sabemos quando uma família nómada se muda para lá. Deixam o lixo no corredor. No início, nem sequer o tiram do caixote. Mas depois adaptam-se. Aprendem a viver com os vizinhos. Param e negoceiam no trânsito, dizem: ‘Pode avançar primeiro”.

Bill Donahue, escritor, reportagem em Ulan Bator, capital da Mongólia, jornal Público

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s