#173

Mário Cesariny nunca viveu aqui, neste número 13 da Rua das Escolas Gerais, em Alfama, mas esta é a sua casa. Ele pelo menos sentir-se-ia em casa, acredita Cabral Nunes [director da Perve Galeria]. E será difícil a quem este espaço visitar não se sentir a espreitar pela fechadura da casa onde Cesariny viveu. Ou até mesmo a entrar na sua casa. É que logo à entrada da Casa da Liberdade estão as verdadeiras portas da casa de Cesariny, onde tantas vezes deu azo à sua imaginação. As cores, os traços, os desenhos, a sua assinatura. ‘Tive de as trazer para aqui. Houve uma altura em que me disse que se não tirasse de lá as portas, não as abria mais para mim’, lembra Cabral Nunes, explicando que Cesariny tinha medo que, quando morresse, o senhorio pintasse as portas e estragasse assim o seu trabalho. ‘A casa dele, que era alugada, era o seu atelier. Estava sempre em mudança e as portas eram a última fronteira’.

Cláudia Carvalho, jornal Público

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