#279

Era como transpor uma montanha. Recordo-me de aguardar com expectativa a tradicional ida à baixa do Porto na altura do Natal, mas de olhar com respeito e algum temor a Rua de 31 de Janeiro, que tinha de galgar, antes de chegar à profusão de lojas na Rua de Santa Catarina. A 31 de Janeiro marca um declive acentuado na cidade. Olha-se cá de baixo, junto à Igreja dos Congregados, e vemos como ela sobe, por ali acima, até ao extremo da Santa Catarina. […] Hoje, é mais fácil subi-la, mas, para as pernas curtas de uma criança, parecia que a rua não tinha fim. […] Eu queria era que aquela subida acabasse depressa. E queria que escurecesse ainda mais depressa para que se ligassem as luzes de Natal. Porque lá, no topo da rua, conseguia então uma vista perfeita, um carrossel de luzes que pareciam descer como numa montanha-russa para, depois, começarem uma subida vertiginosa, pela Rua dos Clérigos, até à torre lá longe.

Patrícia Carvalho, revista P2

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s