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Numa aldeia remota da província de Hunan há uma escola do primeiro e segundo ciclos chamada Democracia. […] Xia Zuhai, um camponês tornado professor, fundou-a em 1996 quando se cansou de ver a China ir pelo mau caminho. ‘O pensamento de Mao Tsetung é sobre libertar as pessoas dos seus desejos materiais, de forma a que as pessoas possam ser livres e naturais’.
[…] Mao Tsetung ainda é uma figura estimada na China. Nas últimas décadas, porém, e apesar de não ter perdido relevância, os académicos chineses tiveram alguma dificuldade em definir o seu grau de importância – deixou de lhes ser possível ignorar o terror e os 30 milhões de mortos de fome do Grande Salto em Frente (1958-1961), a desastrosa tentativa de Mao para, numa dúzia de anos, industrializar a China rural e feudal. O período que se seguiu não foi mais benéfico. A Revolução Cultural (1966-76) destruiu o que restava dos alicerces socioeconómicos.
[…] Não é de estranhar que Xi Jinping – ou o Governo chinês – tenha anunciado um programa ambicioso para comemorar os 120 anos do nascimento de Mao. Na cidade onde nasceu, Shaoshan (Hunan), haverá uma festa grandiosa e vão voltar-se a esquecer os crimes e os erros tão comentados na última década. A pequena cidade foi totalmente reconstruída e gastou-se o equivalente a 218 milhões de euros – a imprensa internacional tem escrito que haverá um coro de 12 mil pessoas a cantar em simultâneo e que serão cozinhados 120 mil quilos de massa chinesa para oferecer aos visitantes.

Ana Gomes Ferreira, jornal Público

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