#328

Em 1990 eu tinha acabado de chegar à Póvoa de Santo Adrião. O meu velho bairro tinha ficado para trás. Longe da minha comunidade, da minha família, do meu rancho folclórico, da minha associação de moradores, fui obrigado a confrontar-me com um subúrbio cinematográfico. Não conhecíamos ninguém. Aliás, ninguém conhecia ninguém porque a minha rua tinha dois ou três anos. Sabem como é inaugurar uma rua de caixotes de três andares com marquises? Não é bonito. Cada vizinho era um estranho, pior, uma ameaça. Éramos colonos da fronteira e, muitas vezes, aquilo era mesmo o faroeste.

Henrique Raposo, semanário Expresso

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