#456

Filippo Fiumani desenvolveu vários protótipos de uma caneta que faz desenhos em relevo até chegar ao resultado final que apresentou no âmbito de um mestrado: chama-se Le Mani e é um objecto leve, movido a electricidade, que vai criando relevo no papel à medida que é usado e que pode ter aplicações não só no campo artístico, mas também educativo. […] O que o inspirou mesmo foram as tatuagens dos prisioneiros russos ou o método usado por eles para gravar imagens no corpo. ‘Comecei a estudar como é que os presos russos faziam as tatuagens na prisão. Qual era o instrumento? Inicialmente, usavam uma agulha e faziam uma tinta com borracha queimada. Queimavam a borracha, a cinza era posta num pano, urinavam para aí e o líquido que caía era o que usavam para molhar a agulha e se tatuarem’. […] Fiumani experimentou [os protótipos das canetas em] diferentes superfícies, como tecido, madeira, fruta. Uma manhã, quando acordou e foi buscar, como sempre faz, uma banana para comer, olhou para ela e começou a experimentar a caneta, a fazer desenhos na superfície amarela. A partir daí, decidiu levar as experiências mais longe e começou a pendurar bananas desenhadas em vários sítios de Lisboa e a trocar as que estavam no supermercado pelas da sua autoria. ‘O engraçado é que (no supermercado) levavam sempre as pintadas. Uma vez, entrei, deixei lá umas dez e depois fui dar uma volta, comprar um pouco de massa… Estava lá um menino que se virou para outro e disse: Olha, olha, João, chegaram as bananas grafitadas da Colômbia!’.

Maria João Lopes, jornal Público

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