#598

Inventar alcunhas é uma arte. Todos nós tivemos um ‘canina’ numa turma algures no nosso passado escolar – eu tive, na escola preparatória, em que nenhum de nós teria mais de 1,50m de altura, mas ele tinha uns centímetros a menos, daí o ‘canina’. Naquela altura, faltava-nos idade para sermos mais criativos, éramos pouco artísticos e tínhamos poucas referências. Compreenda-se, tínhamos aprendido a ler há pouco tempo.

Marco Vaza, jornal Público

Havia o Canina. Era um rapaz pequenino, de sardas, que usava fato de treino e camisola do Benfica. O Canina era bom de bola, costumava passar todos os intervalos a jogar no recreio, e não eram raras as vezes em que chegava atrasado à aula de Fisico-Química, suado e ofegante, porque forçara o prolongamento do jogo para lá do segundo toque. A professora podia ralhar com ele, mas deixava-o sempre entrar. E o Canina lá avançava pachorrento para uma das mesas de trás, com a mochila presa num ombro e uma bola gasta na mão, que voltaria a campo no intervalo seguinte.

Ricardo J. Rodrigues, Noticias Magazine

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