#684

‘A imaginação e o rigor são duas das três qualidades essenciais de um matemático. A terceira é a tenacidade’. De resto, como os poetas, os matemáticos dizem-se sujeitos a ‘iluminações’, diz o francês Cédric Villani, premiado em 2010 com a Medalha Gields, o mais relevante prémio na matemática.

Jorge Almeida Fernandes, jornal Público

Só há 100 anos é que os cientistas começaram a prestar-lhe atenção. Chama-se ‘bilhar racional’ e o desafio era compreender o movimento das bolas quando percorrem um triângulo. […] Na ‘matemática do bilhar’ não há buracos e as linhas rectangulares da mesa são substituídas por polígnos euclidianos. […] Quando começaram, os primeiros físicos que passaram horas a olhar para bolas coloridas a circular numa mesa de bilhar terão pensado que, numa semana, encontravam uma resposta. [Um século depois] Maryam Mirzakhani, uma matemática iraniana de 37 anos, encontrou a resposta. […] O marido, um teórico da computação da IBM, contou que aprendeu tudo sobre a sua futura mulher quando há uns anos foram correr juntos. Começaram ao mesmo ritmo, mas ele acabou por se maçar e acelerou. Ao fim de algum tempo estava cansado e teve de parar. Foi então que Mirzakhani passou por ele. Ela manteve sempre o mesmo ritmo, não desistiu e chegou calmamente ao fim. A filha do casal ainda não sabe o que é matemática e pensa que a mãe é pintora. Desde que nasceu que a vê em casa a desenhar bolas e polígonos, superfícies hiperbólicas e sistemas dinâmicos no chão.

Bárbara Reis, revista P2

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