#738

‘Eu gosto muito disto, de viajar para todo o lado para falar do que escrevi’, admite Romain Puértolas, cujo percurso imita de certa maneira o movimento constante a que se entrega o seu protagonista indiano. Em 38 anos, mudou de casa 31 vezes. Profissionalmente, não podia ser mais eclético: foi DJ; ilusionista; assistente de bordo; professor de línguas (formado em Filologia); inspector da polícia de fronteiras, entre outros ofícios temporários. ‘Sou muito curioso. E como só temos uma vida, sinto que temos de aproveitá-la ao máximo. Por isso, mudei de profissão mais ou menos de dois em dois anos. Quando sinto que já explorei e aprendi tudo o que podia explorar e aprender num sítio, parto para outro.’ […] O escritor diz que se limita a anotar o que o cérebro lhe dita, como se estivesse desligado da sua vontade: ‘O meu cérebro sabe o que fazer’. […] Puértolas escreve com muita facilidade, em qualquer momento e em qualquer lado: ‘Ao princípio, não sei nada. Atravesso a rua para ir à padaria, ou estou à espera na fila do supermercado, e eis que o livro começa a surgir. Pego no telemóvel e escrevo o que me chega, em emails que envio para mim mesmo.’ […] Neste momento está a trabalhar em seis [romances] em simultâneo, mas com o tempo acaba por fundir uns e abandonar outros. […] Tamanha rapidez não se coaduna com os ciclos da edição actual, pelo que o escritor prefere guardar no computador centenas de sinopses para livros futuros. ‘Assim, se um dia acabar esta minha facilidade de criar histórias, já terei material para explorar durante o resto da vida’.

José Mário Silva, actual

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