#786

Lemos Dalton Trevisan e começamos a olhar desconfiados para as pessoas. Os amores matam, as amizades matam, a mais leve incúria pode matar. […] Ler Trevisan é cuidar da vida. Ler Trevisan favorece a sobrevivência. Os seus livros deviam estar à venda nas farmácias. […] Lembro-me de ler ‘Meu Querido Assassino’ e, na sucessão de contos, achar que a redenção estava anunciada em toda a parte. […] Deste livro, o meu conto favorito é um chamado ‘O Confessor’. A dada altura, a moça diz: ‘Sabe, João? Já tenho quem me adore.’. É muito simples (ou talvez não), mas resume a vida inteira e o seu propósito. Sabemos que é inevitável adorarmos alguém, precisamos de encontrar modo de ter alguém que retribua. Assim: adoração sem tretas e sem contenções. É o que queremos. A vida, na verdade, é sempre como apenas um conto. Muito breve, fugaz, deixará poucas oportunidades para que tenhamos o mais importante. Não encontrar é fácil e perder é fácil. Ficam sempre os livros. São sinceros. Eles amam-nos mesmo quando nos falam só das tragédias mais terríveis.

Valter Hugo Mãe, revista P2

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