#792

[São Paulo] é um mar de prédios e quando o ar está limpo é possível ver as serras que rodeiam a cidade. Sentimo-nos insignificantes no meio desta selva de pedra que é São Paulo. […] Estar no centro de uma cidade de 21 milhões de habitantes repleta de grandes avenidas e arranha-céus espelhados, mas com toda a sinalização em português, faz-nos sentir numa Nova Iorque de língua portuguesa.

[São Paulo é] um monstro de cimento que suga toda a energia em seu redor e que a vomita em dobro, levando cada um a sentir que é realmente apenas uma pequena peça, parte de um mecanismo gigante.

Miguel Gonçalves Mendes, cineasta, fugas & expresso diário

São Paulo cresceu na lógica do estilhaço. Depois da ignição, explodiu num ponto e desenvolveu-se na indisciplinada lógica do estilhaço. Não tem geometria. A cidade é um acaso acumulando outro acaso. Os caminhos parecem parasitar-se e predar-se uns aos outros. Assim, qualquer incómodo gera o caos, porque o mapa não ajuda a escoar. O mapa é puro labirinto.

Valter Hugo Mãe, revista P2

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s