#831

Quem é que não tirou já uma fotografia achando que era artística? A maioria, certamente. No passado, a maior parte dessa produção era quase sempre esquecida na gaveta. Hoje converge para a Internet. Existe um dilúvio de auto-expressão na Internet. Fotos aleatórias de gatos, bebés, refeições, festas, auto-retratos, edifícios, concertos, cemitérios ou nuvens. Tudo o que a nossa imaginação contempla e muito mais. Aparentemente, lixo. Carradas de lixo. Ou, em alguns casos, arte. […] A Internet veio baralhar a forma como se cria, difunde, valida e consome arte, com consequências ainda por estimar. No caso da fotografia, isso é evidente, com o surgimento de redes sociais e plataformas como o Instagram, Pinterest, Ello, Flickr, Tumblr e outras. […] Uma coisa é certa: existem quem tenha aprofundado a sua relação com a fotografia através de plataformas como essa[s]. A prática regular ajudou-os a definir a forma como olham o mundo e se movem nele. Através do refinamento da sua linguagem tomaram consciência que tinham uma certa forma de ver a experiência do dia-a-dia e que a sua colecção de fotos, afinal, tinha razão de existir.

Vítor Belanciano, jornal Público

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