#866

Perguntamos [a Lukas Olfe, habitante de Berlim] se ainda subsistem também duas Berlins, apesar de o Muro que separava a cidade já não estar lá. Ele diz que sim. ‘Diria que o lado Este é mais triste e zangado’, defende. E depois pergunta se vimos as imagens nocturnas da cidade captadas por satélite e divulgadas em Abril deste ano, que mostram Berlim Oeste repleto de luzes brancas e Berlim Leste coberto por uma iluminação amarelada. Uma divisão clara, como se o Muro ainda lá estivesse.
[…] O estudante leva-nos até à característica Oberbaumbrucke, a ponte sobre o rio Spree, que com as suas torres pontiagudas, separa Kreuzberg (Oeste) de Friedrichshain (Leste) e aponta: ‘O Spree é a fronteira com o Leste’. A partir de 1963, dois anos depois do início da construção do Muro, a ponte tornou-se uma travessia pedonal, apenas para cidadãos do lado Ocidental. Com a reunificação de Berlim, os cidadãos dos dois distritos ‘rivais’ decidiram resolver os seus diferendos com uma divertida batalha de água e comida podre, que costuma acontecer no último fim-de-semana de Julho. ‘A batalha foi proibida, porque era muito caro limpar a ponte, mas continua a acontecer. E o Leste ganha sempre’, diz Lukas, sorridente.

Patrícia Carvalho, fugas

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