#917

Talvez uma das questões mais relevantes que o estudo da cultura popular pode colocar ao estudo das formas imperiais é até que ponto é possível uma potência colonial como Portugal controlar práticas e consumos culturais no quadro das fronteiras do império e dos seus territórios. […] Se em cidades como Maputo [capital de Moçambique] é simples reconhecer a projecção cada vez mais tecnológica de uma cultra popular global, misturada com dinâmicas regionais africanas e nacionais, é mais dificil de encontrar os resíduos de uma cultura popular definida pelo tempo do império. Talvez o futebol seja, neste quadro, a excepção. Hoje, é muito provável que um ‘moçambicano comum’ saiba melhor quem é Maximiliano Pereira, o defesa-direito uruguaio do Benfica, do que quem foram o navegador Vasco da Gama e Mouzinho de Albuquerque […], bem como quem são os maiores vultos da cultura portuguesa cantados pela diplomacia cultural.

Nuno Domingos, jornal Público

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