#986

Passei um ano em mil e um empregos de trolha. Trabalhei em todas as fábricas imaginárias, da Schweppes aos CTT. Ganhei muito dinheiro que usei para comprar instumentos musicais e para ir de férias dois meses sozinho para Cabo Verde e Moçambique. Fui à aventura e tinha de estar comigo.
[…] Descobri o cinema por causa de um filme homenagem à minha mãe, que já tinha morrido, um filme de luto e à procura do que continua para além da fisicalidade do corpo, à procura de para onde vão as coisas e do que as substitui. O mar significa esse lugar sagrado onde a vida se dilui, já os gregos diziam que a vida nascia e se diluía na água. E fazeres um filme é qualquer coisa de sagrado, é uma forma de recriares vida, principalmente em documentário, tu não filmas uma pessoa como ela é, porque ela é sempre várias coisas diferentes. Uma pessoa filmada, está a criar uma coisa única comigo.

Gonçalo Tocha, realizador, revista DIF

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