#1066

Para as personagens de ‘El Pasado Es Un Animal Grotesco’ (2010), a primeira peça do dramaturgo e encenador argentino Mariano Pensotti (Buenos Aires, 1973) que vemos em Portugal […] a vida é como aquele carrossel que gira sempre à mesma velocidade no parque de diversões semi-gasto dos arrabaldes. […] Parte das vidas que Pensotti inventou são a vida que teve. Outra parte são as vidas que viu os outros à volta a terem ou a poderem ter tido. Com os seus abortos, amores de fim de Verão, persianas baixas e corpos colados o tempo todo, palestinianos obcecados com a jihad, tentativas de suicídio, livros inacabados. Inventou-as enquanto olhava para as ‘fotografias defeituosas’ que às sextas-feiras o laboratório de revelação perto da sua casa em Buenos Aires deitava à rua. […] Ao princípio não sabia o que iria fazer com essas fotos. Quando voltou a vê-las, apercebeu-se de que compunham um retrato da sua geração. Quis encontrar as pessoas que estavam nessas imagens, mas às tantas decidiu dar-lhes as vidas que talvez nunca tinham vivido – vidas enormes como as dos filmes de Fassbinder ou nos romances de Tolstoi.

Inês Nadais, ípsilon

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