#1211

Comprei um armário com a fechadura virada ao contrário, para o céu. O vendedor aconselhou a pôr a chave ao contrário.
[…]
Pensava eu que arrumar era um sacrifício mecânico e moroso que se fazia quando se tinham acumulado coisas de mais (livros) para nos podermos mover-nos de um lado A para outro lado B sem sermos barrados de avançar por pilhas estupidamente erigidas por falta de qualquer planeamente prévio ou posterior. Para a Maria João, arrumar não é uma reacção assustada ao caos: é o prazer de descobrir uma solução para um problema tridimensional.

Miguel Esteves Cardoso, jornal Público

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