#1246

‘Quanto à informatização das sociedades […], ela pode tornar-se o instrumento ‘sonhado’ de controlo e de regulação do sistema do mercado, estendido ao próprio saber’.
Jean-François Lyotard, ‘A Condição Pós-Moderna’

O grupo colectivo reunido em torna da revista francesa Tiqqun, da qual surgiu o ‘Comité Invisible’, defendendo estratégias de insurreição e subversão que não se inserem na lógica moderna da revolução nem nas modalidades históricas da revolta, definiu o processo de cibernetização como rosto que caracteriza o tempo pós-modeno. A cibernética, até no seu significado etimológico, é uma forma de governo. Deste ponto de vista, o poder cibernético que governa o mundo, que esse grupo anónimo analisa com os instrumentos que [Michel] Foucault forneceu para a análise das práticas e dos dispositivos governamentais, na medida em que é um poder logístico, só pode ser combatido com acções de bloqueamento e sabotagem. A Internet é uma máquina de guerra, a cibernética é uma nova tecnologia de governo e o ponto de partida e de chegada do novo capitalismo, pelo que só a entropia (esse conceito fundamental da teoria da informação) o pode combater. Provocar a entropia é ficar invisível para os instrumentos de vigilância e de captura, tornar-se opaco para a visão cibernética.
António Guerreiro, Ipsilon

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