#1298

Eduardo Chillida observou as árvores e anotou assim: ‘Algo que eu não sei, sabe-o a folha que vibra naquele ramo’. E nós não fizemos outra coisa que não fosse abanar os ramos, sempre à procura de respostas, sempre à procura de um movimento muito mais veloz do que nós. […] Quando eu choro por ataques a todas as cidades que talvez nem nunca devessem ter sido construídas, quando eu sinto saudade da cara de meu amor mas já nem sei que cara tem meu amor, nunca soube, quando atravesso supermercados em busca do melhor sabão, quando minha avó não está mais aqui, quando Deus não tem um corpo mas devia ter, quando Beirute se parece muito com Lisboa, quando As Mil e Uma Noites já não chegam para encadear nossas vigílias, é bom saber que existiram reis da poeira como tu.

Matilde Campilho, jornal Público

7 responses to “#1298

    • ainda bem que gosta Jussara 🙂 a Matilde Campilho viveu alguns anos no Brasil e é, neste momento, uma das novas poetas em língua portuguesa 🙂 abraço e boa semana, PedroL

  1. Olá, Pedro. Eu gostei muito do texto de
    Matilde e fico feliz em saber que essa talentosa escritora viveu alguns anos no Brasil. Gostaria de ler mais textos dela. Obrigada e um abraço! Bom fim de semana!

    • acho que o livro dela está publicado no Brasil, chama-se ‘Jóquei’ e foi editado pela Tinta da China 🙂 é muito bom mesmo 🙂 PedroL

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