#1317

Meu amor, desculpa escrever-te. Pode parecer-te estranho, mas há conversas nos casais que mais vale não as ter ao vivo. […] A princípio, nem reparei. Como sabes, quando tenho fome, como o que me puseram à frente, mas com o passar das semanas, dei-me conta de que tinha surgido na nossa ementa um novo prato, o empadão. Até achei graça, fazia-me lembrar a minha infância. A minha mãe comprava bacalhau, desfiava-o, e ficava um petisco excelente. Mas comecei a sentir gostos estranhos, couve, grão, alface, bocadinhos de frango, restos de cabeça de peixe. Há dias descobri que tinhas posto o resto que tinha vindo na marmita da escola do nosso filho, mas que tinha passado todo o fim de semana na mochila… Foi aí que me enchi de coragem para te escrever. […] Digo-te, com toda a sinceridade que mereces, que não aguento mais empadões.

José Gameiro, revista do semanário Expresso

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