shortcut #28: do eclipse

vislumbro o bailado de uma nuvem à janela
e pauso a leitura de um poema de Fiama.
como que em competição, a bailarina arrisca um meneio subtil,
preenchendo aos poucos, em lenta câmara lenta, o firmamento de branco.
o camaleónico céu tinge.se encanecido: primeiro na diagonal, depois em simultâneo na horizontal e na vertical.
de frente para a janela – este rectângulo de banda.desenhada ao vivo -,
quedo.me entre a estante dos livros e uma parede,
iludido no espectáculo do eclipse do céu pela nuvem.
e recordo,
recordo como em pequeno almejava dispor de uma nuvem,
um ninho de algodão doce que me transportasse no seio de um bando de estorninhos,
a depurar a voz entre cidades, por cima de lagos, rente ao cume de árvores…

paulatinamente, porém, a normalidade,
borrifos de azul perfuram o manto
e pintam o firmamento da sua original cor.
questiono.me se outrem terá assistido a tal fenómeno.
lá fora, o dia.a.dia.
vislumbro o bailado do céu à janela
e torno a leitura do poema de Fiama.

duty of response

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