#1331

Quem é Acácio Nobre? Um fantasma? Uma singularidade quântica? Um homem invisível, sem rasto palpável, mas que mexeu nos cordelinhos do mundo? A leitura do novo livro de Patrícia Portela [‘A Colecção Privada de Acácio Nobre’] não oferece respostas definitivas; só mais perguntas, dúvidas, questionamentos. […] Nascido provavelmente em 1869, ele atravessará todos os sobressaltos do século XX, [numa vida que] abunda em momentos altos: trocou correspondência com [Herman] Melville, cruzou-se com [Albert] Einstein e [Pablo] Picasso, foi compincha de [Fernando] Pessoa e amigo íntimo de Mário de Sá-Carneiro, passou pelas trincheiras da I Guerra Mundial e pelos ficheiros da PIDE (que o vigiava de perto), criou puzzles geométricos durante décadas, e tentou de mil maneiras introduzir os Kindergarten de [Friedrich] Fröbel em Portugal, por acreditar que a educação artística precoce seria a única forma de fazer o país entrar na modernidade. […] A esmagadora maioria das obras de Acácio Nobre não são propriamente ditas, mas projectos, sonhos deixados em esboço. É o caso de uma máquina do tempo, denominada ‘Lepidómetro’, que funcionaria por ‘exclusão das horas através do sono, da meditação, da levitação, do voo picado e da metamorfose’. […] Nas muitas deambulações por paragens longínquas, que o levaram a Rudolstadt [Alemanha] e a Baku [Azerbeijão], transportava consigo um pesado fonógrafo, ‘para gravar o ruído da sua ausência em diferentes lugares’.

José Mário Silva, revista do semanário Expresso

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