#1346

Em Madrid tomei uma decisão que transformou a minha vida para sempre. A morte do meu pai deixou-me em estado de choque. Percebi que era mortal, entrei numa crise existencial brutal, tinha ataques de pânico diários. Decidi ir seis meses para a Índia resolver comigo mesmo a dor da morte do meu pai. Vou para a cidade mais sagrada da Índia, onde os Beatles foram procurar a iluminação – Rishikesh. Acabo por alugar um quarto na casa do carteiro e um belo dia decido preparar uma massa com tomate e manjericão como tinha aprendido em Itália. Era a época das monções, começa uma chuvada imensa, uma chuva pesada que parece não ser só água. De repente, uma trovoada incrível. Estou descalço a preparar a massa numa placa no terraço. O chão está totalmente alagado. Um trovão cai a 300 metros. Uma luz… Dei um salto, comecei aos gritos, pensei que morria ali mesmo. O hospital mais perto ficava a 100km. O carteiro e a mulher deitaram-me numa cama e massajaram-me com óleos e unguentos. Adormeci. No dia seguinte estava bem. Foi o meu momento de iluminação, porque apanhei um choque do cacete. Antes dessa viagem estava obcecado com a morte, com a minha mortalidade, mas deixei de ter medo. Não voltei a ter um ataque de pânico. […] Eu não procuro protagonismo, não quero ser a estrela. Eu não queria ser o actor, mas o encenador, o realizador. Eu já fui iluminado e agora quero iluminar os outros. Quero agarrar em talentos e ajudá-los a fazer acontecer.

Domingos Folque Guimarães, jornal Público

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