#1351

Passaram 35 anos e volto ao país que entretanto mudou de nome e encolheu. Chego a Moscovo pelas três da manhã. […] O meu lugar é nas ruas e nas praças. Por onde andei há 35 anos? Andei de metro, de escadas rolantes gigantes, visitei museus, adorei igrejas, aplaudi bailado. Vi gente mergulhada em livros. Admirei homens e mulheres a jogarem xadrez nos jardins, comi gelados e bebi sumos. Vi crianças a patinar. Mulheres a conduzir autocarros. […] Continuo a olhar para as pessoas. Elas também olham para mim. Já não é estranho como noutros tempos. Eu já viajei muito. Eles se calhar também. Usamos os mesmo telemóveis, as mesmas marcas de ténis, as mesmas gangas, os mesmos cortes de cabelo, comemos as mesmas bananas, lemos os mesmos livros, vemos os mesmos filmes. Curioso, continuamos a gostar de cravos vermelhos. Estão por toda a parte. Nos canteiros e nos regaços.

Adriano Miranda, fugas

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