#1359

Como um dia um estudioso polaco disse, a matemática é a única linguagem humana que não tem ruído de fundo. A abstracção pura e a sua beleza austera conduzem-nos ao rigor, onde não há espaço para opiniões ou subjectivismos. […] A matemática está presente na vida e talvez valesse a pena investir mais no seu ensino ligado ao nosso quotidiano. Não é a subir umas escadas que aplicamos a propriedade transitiva, sob pena de tropeçarmos? Não é, aplicando a mesma propriedade lógica, que dizemos que amigo do meu amigo meu amigo é? Não é a vestirmo-nos que respeitamos a ordem de um par ordenado (a,b), primeiro a camisa e depois o casaco, para não cairmos no ridículo do (b,a) primeiro o casaco e por cima a camisa? Não é através dos números complexos que podemos calcular a oscilação do amortecedor de um carro quando se trava, assim se ajustando às características do carro? Não é pelas noções básicas da teoria dos conjuntos que não precisamos de dizer ‘portugueses e portuguesas’, pois que é um modo de repetição de um subconjunto (‘portuguesas’) contido no conjunto (em favor da ideologia de género)? Não é pela lógica matemática que chegamos à conclusão de que a negação de uma negação exprime uma afirmação? E quantas equações exprimimos por dia, para não falar em inequações, mais ao jeito do nosso gosto comparativo?

Bagão Felix, jornal Público

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