#1372

A escrita no papel surgiu depois como uma forma de me entreter sozinha. Fui sempre mais solitária do que convivial e havia uma vertente de expurgação no que escrevia. Fazia-o em papéis bastante improváveis como aqueles guardanapos semi-transparentes dos cafés. O que era mais íntimo ia para papéis mais perecíveis. Aquilo que eu achava que podia durar era escrito à máquina nos boletins do Totobola, o que permitia guardar uma cópia em papel químico. Ainda hoje é assim – escrevo e depois perco. Mas interessa-me esse duplo movimento. Quando se escreve está a inscrever-se qualquer coisa que é suposto que perdure, mas ao mesmo tempo eu procuro alguma fragilidade na escrita, acredito na mudança e acredito que aquilo que perdura com demasiada resistência muda menos.

Margarida Vale de Gato, escritora e tradutora, jornal Público

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