#1378

O Vietname não seria o Vietname, com a beleza grandiosa e imperial, sem o colonialismo francês e sem o individualismo americano. […] É caro sair do Vietname. Ter um passaporte. E aqui estou eu, a intrusa, vendo os lugares deles que eles não têm dinheiro para ver. […] Em Hanói e Ho Chi Minh vivem os ricos. No norte vivem os funcionários do partido, ele [o motorista] diz o ‘governo’, os familiares do governo, os amigos do governo, e no sul vivem os empresários e empregados. No centro vivem os agricultores e pescadores, os pequenos funcionários. Os servos do turismo. No campo, junto da fronteira donde vem Mr. Thiem [o motorista], o povo nada tem. A escola tem de ser paga, o médico tem de ser pago, o emprego tem de ser pago. Se um homem quiser ser polícia, tem de pagar para ser polícia. Se quiser uma consulta no hospital, tem de pagar. E se não tiver dinheiro? Mr. Thiem olha-me com olhos sujos. Morre. Se não tiver dinheiro… morre. E quem não puder comprar um emprego? ‘Vai para as fábricas’. As nossas fábricas. As fábricas do Ocidente. As fábricas do capitalismo selvagem e explorador aliado ao comunismo corrupto e repressivo. Tantos anos de guerra para isto.

Clara Ferreira Alves, revista do semanário Expresso

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