shortcut #36: de leopold

Quem atente o self.portrait de leopold confronta.se de pronto com um pincel de bigodes escultóricos, clareados pelo tinto de um vinho de mesa rasca, de tasca. Observe.se os lábios, que, da tagarelice como ilação, sobrevêm sísmicos, titubeantes, enquanto os dentes, brancos como o inverno, concentram a luz que contrasta com o azul.marrã do fundo. Leopold, o artista pinta.se simétrico mas desenha.se assimétrico. O nariz, de duas narinas desconformes, perde.se numa linha rasgada pelo confluir da visão. Meça.se a esquadro os olhos e deduza.se o esquerdo descaído, descabido, ímprobo face ao congénere da direita, acessório buliçoso, fonte de lágrimas doces. As orelhas, afastadas pela bio.lógica e por uma fronte eslava de cabelos, assemelham.se a colagens com páginas de jornal dedicado a música clássica. Haverá para uma orelha palco mais belo do que a partitura? Desconheço se o caro leitor partilha tal opinião, porém o self.portrait de leopold reconfigura a imagem do esteta como agricultor do belo.
No dia 14 de fevereiro de 1999 leopold, o narciso pintou um auto.retrato e lançou todos os espelhos da janela mais alta de casa. Leopold congelou.se no tempo com um pastel. Sem rugas, somenos o olho descaído.

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