#1383

Como professor lecionei durante décadas Português no estrangeiro, principalmente na Alemanha, e Língua Portuguesa para Estrangeiros na Faculdade de Letras. Ao longo da vida dediquei-me somente a estudar a nossa língua e devo confessar que só comecei a compreendê-la em profundidade depois de vários anos a ensinar universitários estrangeiros e a tentar responder às suas perguntas e dúvidas. Até então eu era um docente interessado e culto, que pensava dominar perfeitamente a língua portuguesa, depois de a ter usado, estudado e ensinado ao longo de muitos anos. Ao tentar esclarecer as dúvidas e questões que os meus alunos europeus, asiáticos, americanos, africanos e oceânicos me punham, tentando compreendê-las por comparação com a descrição que me iam fazendo da gramática das suas línguas maternas, descobri que a língua que eu falo não é tão perfeita como eu julgava. A nível mundial o Português que falamos é uma língua com origem num latim muito bárbaro, com forte influência do grego e do árabe, para além de outras, como o francês e modernamente o inglês. Comparada com outras é uma língua um tanto confusa e bastante ilógica, com vagas e antiquadas regras, que pouca gente conhece e respeita. E o que é errado, depois de repetido milhões de vezes, torna-se correto.

João Cidreiro Lopes, professor aposentado, jornal Público

2 responses to “#1383

  1. Pingback: (Des)acordos | Translature·

duty of response

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s