#1414

Se os programadores das rádios de TOP40 garantem que um ouvinte médio apenas concede 7 segundos de atenção a um tema antes de mudar de estação, então, é indispensável que as playlists se apresentem como ‘ruas de meninas’ de Amesterdão, nas quais cada canção exibe um hook (motivo rítmico-melódico orelhudo) na introdução, outro antes do refrão, outro no próprio refrão e ainda outro na ponte. O objectivo é publicar material ‘de dimensão industrial destinado a centros comerciais, estádios, aeroportos, casinos, ginásios e ao espectáculo do intervalo do Super Bowl’. Para isso, constituem-se equipas de produtores, ‘topliners, beat makers, melody people, vibe people, and just lyric people‘, eventualmente reunidas em writer camps, de cujo brainstorming se colhe um hook aqui, uma sequência de acordes ali, um beat acolá, que, após a montagem das peças soltas, terão de passar pelo processo de comping – o moroso trabalho de edição de inúmeras takes vocais, compasso a compasso, palavra por palavra, sílaba a sílaba, se necessário.

João Lisboa, revista do semanário Expresso

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