#1438

Em tempos recuados, há mais de meio século, quando floresceu uma análise semiológica da cultura de massas, Roland Barthes analisou numa das suas ‘mitologias’, aquilo a que chamou ‘La Critique Ni-Ni’ […], a categoria ‘Nem-Nem’, a ‘mecânica da dupla exclusão’. […] [Na política] a encenação de debate cria a aparência de que uns e outros pensam de maneira diferente, mas toda a diferença se anula na mesmidade que brota da linguagem comum do ‘Nem-Nem’. Como se todos eles, festivos como os saltimbancos e nómadas como os cibernautas, se preparassem diante de um espelho deformador, antes de debitar opinião e analisar a temperatura exterior do ambiente. […] A conformidade é a chave que tudo abre e o critério primeiro para definir a elite consensual que se moldou pela fórmula do ‘Nem-Nem’. Modestos e realistas, estes filisteus de nova uma nova espécie abarcam todo o espectro político. […] Esta elite consensual, resulta de um agregado onde se instalou a maquinaria infernal de produção do ‘homem médio’ ou homo mediocris [e] reivindica-se como uma maioria moral, na medida em que exerce uma hegemonia de opinião.

António Guerreiro, ípsilon

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