shortcut #42: do eremita

quando de olhos eslazeirados me perguntavam ‘desde quando escreves?’
respondia ‘1974
‘a contar do primeiro dia do século XII’
ou, se genuinamente inspirado,
‘antes do Império Romano se desmoronar, quando era co.locatário de um quarto de dormir e cozinhar
com um gato de cauda ruiva, tenor de orquestra, investigador dos efeitos da luz na superfície rugosa da lua, comparsa de Bloom, herdeiro de um limoeiro crescido à beira da estrada que serpenteia o Liffey.’
hoje escrevo hoje
e permito.me lançar esta e outro tipo de questões ao ar
em movimento, mascado e remoído no bolso de uma camisa a lavar, peão dentro da máquina,
parágrafos de prosa a espalhar.se pelas restantes peças
pois a melancolia irrompe do vestir umas calças com três estrofes confundidas
ou pelo concretizar do haiku incompleto impresso nas mangas da camisola de malha encarnada.
todas as noites o gato de cauda e barba e patas ruivas, boémio por convicção,
me asseverava que a lua é o animal doméstico da Terra
rugosa a preto e branco cada dia desde a fundação do Império Romano.
‘a lua tem sete vidas’ miava com a esperança embebida do tinto.
e eu escrevia
todos os dias desde hoje.

duty of response

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