#1470

O facto de eu ter uma personagem, a Miserável, ajuda-me a lidar com o mundo, a falar. Eu sou um pouco miserável porque tive sempre muito azar e porque sou extremamente romântica. O amor normalmente dá para o torto. O amor e a miséria estão muito perto um do outro – arriscas tudo e quando falha, falha tudo. […] Eu achava que o amor era importante para toda a gente. Acredito no amor e na possibilidade de encontrar alguém que evolua connosco, mas tenho-me apercebido de que há pouca disposição para o amor. O amor exige trabalho e compromisso e exige que mostremos uma certa vulnerabilidade que não é compatível com o que o mundo pede de nós agora. O mundo pede-nos que sejamos os maiores, os melhores. A vida não está a colaborar com o amor. Ninguém fala sobre isto. Só os poetas falam sobre isto, mas os poetas são loucos. Toda a gente sabe que os poetas são loucos. Mas eu identifico-me com eles porque quero falar sobre a vida.

Mariana a Miserável, ilustradora, jornal Público

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