#1477

Do que toda a gente fala no Lido [no Festival de Cannes], sem chegar a conclusões, é de um monstro com tentáculos fálicos que satisfaz o prazer das personagens femininas e masculinas em ‘La Región Salvaje’, [filme] do mexicano Amat Escalante. Ele está algures no filme como num quarto escondido para as pulsões. Uma zona em que os segredos falam sem se revelarem. Caiu um meteorito. Há este alien numa casa. Por ali passam as personagens, como se procurassem superar o esquálido realismo em que habitam. É o mundo de um casal sem horizonte social e afectivo, é a escondida relação homossexual dele com o irmão dela, em que o prazer é exercido como violentação… Mas os corpos saem dali feridos. Há mortos, que prazer é esse, que atracção é essa, o que significa esse monstro? […] Lembramo-nos várias vezes de outro mexicano, o Carlos Reygadas de Post Tenebras Lux (2012) – Reygadas já produziu Escalante… –, que com aquele plano metafórico que parecia impossível, e que também não se explica com palavras, de um homem a arrancar a cabeça, entrou com ele para dentro do próprio filme. A falar de sangria, de violência social, de sacrifício, como talvez esteja a falar Escalante. Mas o que acontece é que com La Región Salvaje do que toda a gente fala é do monstro dos tentáculos.

Vasco Câmara, jornal Público

duty of response

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s