#1483

Sem grande rigor terminológico, chamemos jornalismo editorial a um género de discurso e a uma forma de configuração do espaço público mediático que se caracterizam pelo triunfo de um modo de entretenimento, quase exclusivamente assegurado pela classe político-mediática dos intelectuais politólogos e dos políticos anfíbios. É uma classe que compreende tanto os politólogos que ocupam as cátedras instituídas pelos media, como alguns politólogos de vocação e ciência que, uma vez cooptados, já não se distinguem dos seus pares elevados às cátedras profanas por competência na escrita subalterna, no crochet televisivo, no chatting radiofónico, ou nos três ao mesmo tempo. […] São uma elite que encarna com entusiasmo aquilo a que alguns, equivocados, chamam ‘opinião pública’, e outros, com excesso de ambição e alguma ingenuidade, chamam ‘dinamismo da sociedade civil’. […] O jornalismo editorial, curto e conformista, é maioritariamente auto-referencial, o que significa que o seu eco-sistema é o espaço autónomo que ele próprio vai criando. É um sistema de vozes em conversa permanente umas com as outras.

António Guerreiro, ípsilon

2 responses to “#1483

  1. Something to think about today in the toxic U.S. climate of words. My translation did come up with the mysterious phrase “amphibious politicians” which seems odd. Are these politicians salamanders?

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