#1497

Gente das artes que faz questão de dizer que nunca vai a concertos, gente da música que faz questão de dizer que nunca vai ao teatro, gente dos livros que diz que não põe os pés no cinema, gente do cinema que diz que tem mais do que fazer do que ler poesia, gente que vai ao festival Paredes de Coura e que diz não perceber quem vai ao Boom, gente que ouve Nick Cave e que despreza quem ouve Beyoncé, gente que continua a projectar a sua identidade, online e offline, a partir do país onde nasceu, da família onde cresceu, dos amigos com quem se dá, dos interesses materiais que perfilha, da roupa que veste, dos consumos culturais que pratica, enfim, gente que se dá com outra gente não a partir de uma noção de movimento ou de horizonte de futuro, mas apenas com âncora numa suposta essencialidade que, na verdade, é uma ilusão e cheira a bolor.

Vítor Belanciano, jornal Público

9 responses to “#1497

  1. Excellent observation. I am so grateful to the international exposure I am getting from the blog world. Right now I am reading India history, another area I am ignorant about.

  2. Devemos olhar a arte da maneira certa e como ouvir as músicas também,nada de ilusões,gosto dos quadros de Salvador Dalí,mais amo mesmo as obras de Picasso.Nenhum deles eu odeio,e afinal de tudo vamos gostar mas e odiar menos.
    Amei seu texto tão perfeitinho,não precisa de mas nada. 😀

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