#1501

A questão do chamado ‘acordo ortográfico’ consiste, essencialmente, no facto de ele ser uma completa inutilidade, que desfigura desnecessariamente o português escrito, em nome de um suposto objectivo cujo ponto de partida não passa do erro gerado por um entendimento absurdo do que faz divergir os diferentes usos da língua. […] O que foi feito assenta na suposição errónea de que as diferenças entre o português europeu e o sul-americano são fundamentalmente ortográficas, quando sabemos bem que a separação maior dessas duas vertentes não reside no domínio da ortografia, e sim nos planos vocabular e sintáctico. As alterações que o acordo estipula vão, em geral, contra a etimologia das palavras: são, evidentemente, entre muitos outros, os casos de ‘actor’ ou de ‘espectador’, que, perdendo-o agora em português, conservam o ‘c’ em várias das línguas de origem latina, o mesmo acontecendo com ‘espectro’, por exemplo – o que sucede até em inglês, que tem, como sabemos, uma ampla raiz latina. Para os escritores, em particular, essas mudanças implicam também uma perda de sensibilidade linguística, já que descaracterizam as palavras, despojando-as de traços inalienáveis da sua natureza filológica, com tanto peso na imagem gráfica respectiva.

Gastão Cruz, poeta, jornal Público

5 responses to “#1501

  1. There is a similar difference between French in France and French in Quebec. I think geographical separation allows for the development of vocabulary shifts.

    • I’m living in Nice, south of France and working in an hotel. I can speak enough french but to be honest everytime there is a canadian tourist coming to the hotel I can’t understand at all ahah it sounds so weird, on the other day I thought someone was speaking german and I answered back in english, can you imagine that?? Ahah In fact, some brazilians also don’t understand the portuguese european accent… but maybe that’s another story lol wish you a great weekend!! PedroL

  2. até me ficou a apetecer fazer uma manifestação , nem que fosse só eu, à porta de um dos apaniguados do dito acordo, e era capaz de lhe bater com um “para”, para que percebesse que era “pára” lá com este acordo),ou então, dava-lhe água pelo pelo,até ele perceber que já tinha o “pêlo” molhado. peço desculpa PedroL se estou demasiado agressiva.
    Um abraço e bom fim de semana,
    Mia

  3. Pingback: O Absurdo Acordo Ortográfico – Ícaro e a Caverna – Pedro Mota·

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