#1580

O maior problema dessa tecno-fé ou tecno-religião é que coloca um limite na esperança. Vê o indivíduo como fim de tudo e limita o alcance da esperança, que é uma forma de a matar. Tem tudo que ver com a perspectiva: se eu for um pequeno pássaro numa jaula enorme, eu posso não perceber que a jaula está lá – mas não é por eu não ter a percepção da jaula que ela deixa de existir. Acredito que essa limitação da esperança é um empobrecimento da humanidade. E há outro problema: essa forma de pensar é também frustrante em termos de ambições. Algumas das maiores realizações da humanidade ocorreram porque sempre tivemos esperança em algo mais e nunca nos contentamos com o que existia. O consumismo trata sempre de reduzir o espectro da esperança ao objecto ou produto que está em frente aos nossos olhos. Se é comprável, então está no limite da esperança – se não é comprável então não tem valor. Assim, o que é economicamente adquirível é o que deve estar dentro do meu limite de esperança e nada mais – acho que é uma tristeza pensar assim.

Luciano Floridi, filósofo, jornal Público

2 responses to “#1580

  1. Nunca vi um “capitalista” pensar assim. Parece até invenção de alguém para denegrir o individualismo liberal.

  2. That is a profound piece of writing. I agree that hope is being squelched, though I had attributed it to our current president.. I think this broadens my perspective.

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