#1617

Pode dar-se o caso de os escritores de esquerda serem escritores de direita que se imaginam de esquerda porque têm medo ou vergonha de ser de direita. E os escritores de direita talvez se digam de direita apenas porque ser de esquerda não é para eles suficientemente distintivo, suficientemente chocante ou chique. Existe, porventura, um estilo ‘de esquerda’ e um estilo ‘de direita’, sobretudo na tradição [literária] francesa. Besson entretém-se com tipologias. Um romance de esquerda é uma meditação sobre a condição humana. Bem escrito, social, desesperado. E um romance de direita é um ataque ao género humano. Escrito com verve, satírico, desencantado. Etc. Claro que estas classificações podem ser facilmente conduzidas ao delírio involuntário ou intencional. […] Felizmente, há indivíduos de esquerda e de direita, escritores, que não vestem os fatos apertados e caricatos que lhes querem impor, e que se dão uns com os outros, amigavelmente, convictos das suas ideias mas zombando em comum das definições dos fanáticos.

Pedro Mexia, revista do semanário Expresso

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