#1647

O tempo tornou-se a unidade de medida de tudo, até do espaço. Já não falamos de distâncias quilométricas, mas de tempo de viagem: três horas de voo. Duas de comboio. Quatro de carro. As teorizações acerca do tempo e do ritmo são recorrentes ao longo da história. Mas na última década, em parte por reacção ao culto da rapidez, a procura de tempo justo tem sido revalorizada. […] A questão é como desacelerar num contexto contemporâneo que nos impele exactamente para o contrário. Um ambiente onde a produtividade ainda é associada a trabalhar muito e não racionalmente, onde ter sucesso ainda é sinónimo de acumular, ou onde a satisfação é tantas vezes confundida com consumir. […] Na obra ‘Non-stop Inertia’, o psiquiatra inglês Ivor Southwood reflecte sobre as contradições dos últimos anos nas sociedades ocidentais, argumentando que a cultura do trabalho temporário, a fragmentação, ou a velocidade dos meios de comunicação digitais nos fazem acreditar que estamos sempre em movimento. Mas é um movimento sem nexo, sem destino. É uma acção paralisante que, muitas vezes, apenas leva à fadiga crónica ou à depressão. […] O resultado é uma existência guiada pela imobilidade. Aquilo que ele chama ‘uma hipertrofia do presente’, em que a experiência múltipla e humana do tempo foi substituída pelo tempo exclusivo do capital.

Vítor Belanciano, jornal Público

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