#1735

Não se deve confiar na memória no que aos filmes concerne. Muitas vezes a memória é indutora de erros. Por exemplo, sempre que passo ali na Rua dos Condes [em Lisboa] e vejo o Odeon a apodrentrar, lembro-me que ele tem aquele magnificiente tecto de abrir, em pau-brasil e sou capaz de jurar que é igual ao da sala que está no centro do filme de Giuseppe Tornatore – e é mentira. […] ‘Cinema Paraíso’ é um filme a sinalizar um tempo de encantamento e o seu entardecer. Quem, como eu, ainda conheceu esse tempo em que os cinemas não eram os paralelepípedos anónimos que hoje temos, em que havia um apelo colectivo pela sala escura, em que existiam interditos e censuras, em que havia estrelas de Hollywood e o mundo era muito maior que agora e infindavelmente mais inacessível, não pode deixar de exultar com a tonalidade dourada que [Giuseppe] Tornatore lhe imprimiu.

Jorge Leitão Ramos, revista do semanário Expresso

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