#1763

Quem me devolve os meses de vida que passei a ouvir música de carrossel?

[…]

Não sou forreta com o dinheiro. Mas sou forreta com o tempo. […] Os forretas de tempo pensam que estão a acumular tempo com cada minuto que poupam [e] morrem sem deixar nada porque o tempo deles acabou. […] Se o forreta de tempo usa o tempo que poupa para fazer alguma coisa pelos outros, será que pode ser perdoado? A escritora que passa o tempo todo a escrever, reduzindo o resto da vida ao mínimo, pode ser uma forreta das piores para os amigos, para a família e para si própria (não perdendo tempo, por exemplo, com a saúde e a higiene), mas quando morre deixa os livros que escreveu. Partindo do princípio que são bons – um princípio muito raro – dá a milhares de pessoas a distracção agradável de ler o que ela escreveu. Só que as pessoas precisam de tempo para lê-la.

Miguel Esteves Cardoso, jornal Público

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