#1785

Poucos dias antes de morrer, [Bodo von Bruemmer] o barão do Casal Sta. Maria, em Colares, assegurava ao neto, Nicholas von Bruemmer, que não era ainda tempo de partir porque tinha muito que fazer. […] Bodo von Bruemmer teve uma vida de aventuras — nasceu em 1911 na Curlândia, então uma província báltica do império russo, fugiu aos bolcheviques em 1918, refugiando-se na Alemanha, vendeu tabaco de porta a porta e, mais tarde, tornou-se banqueiro na Suíça. Aos 95 anos, com a saúde a tornar-se mais frágil, acordou de uma operação com a ideia de fazer vinho, projecto ao qual deu início três semanas mais tarde. Determinado e com ideias muito próprias, dirigiu o negócio durante dez anos, confiando cada vez mais no que lhe “dizia” o pêndulo que usava para tomar todas as decisões. Nicholas, que também trabalhava na banca e só no final de 2016 se mudou da Suíça para Portugal, vinha muitas vezes visitá-lo, com a mulher e os dois filhos, e acompanhava à distância o trabalho com o vinho, mas durante a vida do avô optou por não interferir. Sorri. “Ele era um homem muito racional, mas com o tempo tornou-se muito dependente do pêndulo. Já não sei se era o pêndulo que fazia o que ele queria, se era ele que fazia o que o pêndulo dizia.”

Alexandra Prado Coelho, fugas

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