#1791

Não quero saber do cinema para nada. […] A única coisa que me interessa é a vida. Quando estou a ensinar jovens adolescentes, ou me encontro com eles, digo-lhes sempre que não têm de aprender a filmar, o que têm de aprender é a ver a vida, a compreendê-la […] e têm de trabalhar sobre isso. […] Ensinar é estúpido. A lógica da educação é a de que o professor diga qualquer coisa para que os alunos acreditem que é verdade e que está certo. Mas não é assim. Há muitas outras verdades que também existem. A principal será a do próprio aluno. É ele que terá de procurar quem é e que verdade é a sua. E isto porque somos todos diferentes e temos que ser nós próprios. É desta forma que eu ensino, digamos assim. O que faço não é educação, é libertação. Se formos adultos livres, chegaremos a algum lado. Só tenho por isso de lhes dar coragem, autoestima e confiança. […] Sou um pouco como um pai. […] A curiosidade pelos mais novos [é o que me motiva a ensinar]. Gosto de desenvolver o que há de bom na sua criatividade e gosto de perceber como vêem o mundo. E porque ainda acredito na humanidade.

Béla Tarr, cineasta, revista do semanário Expresso

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